Fantasmas
Em Fantasmas (Fantômes, 2001), de Jean Paul Civerac, pessoas desaparecem sem qualquer explicação. O mesmo mal estaria acometendo os colaboradores deste blog?

Não. Não me tornei fantasma, mas cheguei perto de me transformar num zumbi digno do Planeta Terror de Robert Rodriguez.The best replica Rolex site https://www.peteswatches.co.uk in the world only sells the top quality AAA swiss replica watches.
Sim. Fui vÃtima da impiedosa Mostra que consome e traga boa parte das energias de muitos cinéfilos que topam entrar nesta maratona.
Até hoje, quinta-feira, foram 54 ingressos utilizados e a Mostra ainda não acabou. A repescagem só termina na sessão das 21h40 de hoje, no CineSesc.
Dos 54 filmes, escrevi algo ou fiz referência à 27.
Mas tem o “Fantasmas†do primeiro parágrafo deste post que, exibido em 2001 e listado na Retrospectiva Jean Paul Civeyrac, apresenta uma Paris às portas do novo milênio e com um mistério que ronda a cidade – o que está levando pessoas à sumirem repentinamente?AAA High Quality Luxury Replica Rolex Watches Online Sale At https://datejustreplica.com.

28 filmes, agora.
Vai ter mais – 27 canhotos de ingressos aguardam a vez de entrar em algum post.
Quase 3 semanas de Mostra. Quase 4 filmes por dia.
Eu estava na fila da bebida na balada de abertura na Casa das Caldeiras e também assistindo aos vencedores da Mostra e ao novo filme dos irmãos Coen na cerimônia de encerramento no Memorial da América Latina.
Nesta maratona houve a façanha de agüentar 5 filmes seguidos numa mesma sala – cerca 10 horas sem sair do cinema.
Teve também a aventura de uma terça-feira: assistir à sessão das 14h no HSBC Belas Artes; descer a Cardeal Arcoverde para pegar a sessão das 16h no IG Cine, voltar para a Paulista a tempo de ver o filme das 18h no Cine Bombril; correr para o Espaço Unibanco às 20h e terminar o dia no Frei Caneca Arteplex, na sessão das 22h.
Nestes dias, esqueci de almoçar muitas vezes; quase não jantei; me contentei com as porções de pão de queijo do CineSesc. Houve também algumas caipirinhas no Clube da Mostra, sempre acompanhadas de um bom debate.Best hi quality replica rolex daytona watches is swiss watches, at https://www.daytonareplica.com sale 1:1 best fake rolex daytona watches, high-quality swiss movement.
Tomei chuva, perdi ônibus, corri bastante mas nunca entrei numa sessão depois de iniciada a sessão. Ok, houve uma vez. Culpa do trânsito.
Fiz um ou outro psiu durante o filme e evitei bater palmas ao final das sessões? Para quem, oras??
O mais difÃcil de tudo isso? Conciliar vida e cinema: aniversário da namorada, contas para pagar, contratos para assinar, problemas lá no trabalho. Que trabalho?
Vi filmes sem legendas, mudos, sem foco mas nunca deixei de ver uma sessão do começo ao fim. Dei chance até o último crédito na tela.
Passei por filmes chatos, desinteressantes e outros que valem a pena comentar.
O fim da 31a Mostra não representa o fim dos posts sobre os filmes do festival.
Abri mão de comentar os filmes no dia-a-dia das sessões, para escrever com mais calma e, principalmente, tentar sobreviver à maratona. Não me tornei fantasma, só um pouco zumbi.
Logo mais à noite, à s 21h40 no CineSesc, a última fila, a última vinheta, o último psiuuuuu…. “Happy End†para 31a. Mostra.
Vou sentir saudades.
Um Kitano para quem é fã
Acho que já assisti a boa parte dos filmes mais recentes do cineasta japonês Takeshi Kitano. Comecei com o Hana-bi e fui seguindo todo os seus filmes que passavam no Brasil até o Zatoichi, passando por aqueles que ele não dirige como o Olhares de Tokyo. Alguns gostei muito, outros mais ou menos, e na média, posso dizer que acho a obra do Beat Takeshi muito boa.
Ontem foi a vez do Glória ao Cineasta (Kantobu-Banzai, Japão, 2007), no qual um Kitano em crise existencial, faz um meta-filme com piadas ao seu próprio estilo de filmar e outras coisas mais. Com aquela expressão impassÃvel, a mesma que torna o Bill Murray tão engraçado, o Glória ao Cineasta passa por vários gêneros, faz referências à sua cinebiografia, de Kukujiro a Zatoichi e também a grandes sucessos de Hollywood, de Impacto Profundo a Matrix.Buy cheap perfect super clone Rolex Submariner watches at https://swissreplicarolexsubmariner.com site. We offer 1:1 Swiss movement Replica Rolex Submariner with low price.

Apesar das risadas fartas na sala cheia, não achei tão engraçado assim. As piadas vão do pastelão à referências refinadas, mas nem sempre é divertido. Filme escrachado como os da série Todo Mundo em Pânico provocam mais risadas em mim com suas referências do que o Glória ao Cineasta.orologireplica.is è il miglior negozio di orologi replica al mondo. Offriamo solo orologi svizzeri replica cloni 1: 1 della massima qualità.
Talvez tudo não passe de uma volta às suas origens. Takeshi Kitano, além de diretor e ator, já foi humorista daqueles programas de TV esquisitos do Japão. Quem quiser saber o que estou falando, é só lembrar de Encontros e Desencontros da Sofia Coppola e aquele apresentador japonês maluco.
De qualquer forma, depois do filme fiquei imaginando o Bill Murray e o Beat Takeshi na mesma cena. Esse sim, eu morreria de rir.Provides top Swiss made super clone watches for men and women. You can afford perfect cheap sale replica watches uk at low prices.
Pequenas histórias?
Pequenas Histórias é o tÃtulo de um filme nacional que ontem vi por acaso. Como estava atrasado para um outro filme , resolvi entrar na sessão deste nacional, tendo como referência apenas o tÃtulo. O filme não chega a ser ruim, se parece apenas com um especial de fim de ano para TV. São várias histórias sendo narradas, de conto de natal com Papai Noel à história de pescador. O filme é narrado por Marieta Severo e tem no elenco Paulo José, PatrÃcia Pillar e Gero Camilo.Buy cheap perfect super clone roelx watches at best replica watches site. We offer 1:1 Swiss movement fake Cartier Santos, Tank, Ballon Bleu with low price.

Pequenas Histórias pode até ser o nome deste filme nacional. Para mim, pequenas histórias são todos os filmes. É o cinema.
Amo a Mostra porque ela me leva à pequenas histórias ao redor do mundo. Num mesmo dia viajo, conheço lugares, personagens, me emociono, me divirto e também me aborreço. Num mesmo dia, no intervalo de algumas horas, conheço muitas pequenas histórias.

Eduardo Coutinho também ama pequenas histórias e faz de seus filmes um cantinho para que as pessoas possam contá-las. Jogo de Cena é um filme de pequenas histórias que emocionam enormemente. Um anúncio busca recrutar pessoas para contarem suas histórias em um documentário. Functional exact swiss luxury watches UK on amazon with high quality for men – Rolex, TAG Heuer and Breitling.Muita gente se inscreve, algumas são selecionadas e no palco de um teatro vazio, pessoas contam para Coutinho e para nós, suas pequenas grandes histórias. Coutinho vai além e, através destas pequenas histórias, dá um nó na realidade – entre aquela gente ali no palco, há atrizes infiltradas que buscam representar pequenas histórias de pessoas reais. Trata-se de um de exercÃcio? Não somente. Atrizes calejadas como Fernanda Torres, Andréa Beltrão e MarÃllia Pêra confessam que as pequenas histórias de pessoas reais são mais difÃceis de representar do que pequenas histórias de pessoas que só existem nas cabeça de roteiristas. As pequenas histórias de Jogo de Cena, não são nada pequenas.
Mas em Jogo de Cena um detalhe chama a atenção: somente personagens femininos participam das conversas com Coutinho. Apenas mulheres têm pequenas histórias para contar?

No mexicano Dos Abrazos há duas pequenas histórias separadas por dois abraços. Na primeira, um jovem garoto acha refúgio na paixão por uma garota, caixa de supermercado. A fuga deste garoto, mesmo que apenas subjetiva, é de seu lar, de seu irmão doente. No abraço entre o garoto e a garota que fecha esta primeira pequena história, um taxista passa e assiste a cena, tentando evitá-la. O taxista busca fugir da culpa por ter abandonado um lar com mulher e filhos. O refúgio do taxista é o anonimato das ruas até que um passageiro resolve falecer em seu táxi, obrigando-o a assumir uma identidade, nem que seja de alguém que ele não é. Esta pequena história também termina num abraço.At leviswatches.co.uk the High-Quality replica watches for the best price on fake watch website.

Pequenas histórias podem terminar num abraço, podem ser alegres, tristes, podem ser pessimistas ou não. Os Otimistas é um filme sérvio com algumas pequenas histórias, pinceladas à humor-negro, sobre dificuldades. A inspiração para estas histórias é um romance satÃrico cujo mote é: â€Otimismo é insistir que tudo está bem, quando tudo está malâ€. Num dos episódios, famÃlias tentam lidar com lares destruÃdos e um hipnotizador chega para ajudar – o segredo é ser otimista. Noutro episódio, o pai tem sua filha estuprada pelo seu chefe numa vila onde manda quem tem mais. Otimismo para famÃlia deste pai é continuar com a vida que levavam. No episódio seguinte outro pai, dono de um matadouro, não sabe mais o que fazer com o jovem filho viciando em matar porcos e outros bichos. A ajuda médica vem para dar otimismo mas complica ainda mais a história. Na história seguinte um garoto perde o dinheiro que era para o velório de seu pai numa máquina de jogo e vê sua salvação na parceria com uma senhora que, depois de ser desenganada pelos médicos, passa a ter grande sorte nestas máquinas de azar. A senhora, no entanto, falece antes mesmo do jovem concretizar o sonho de tirar a famÃlia do buraco. O último episódio começa num ônibus onde todos cantam puxados por um lÃder que prega o otimismo. Ali há pessoas com pequenas histórias tristes em busca de uma salvação – uma garota cega, um rapaz com câncer e tantos outros dramas. Todos naquele ônibus buscam a nascente que os curará de qualquer mal. Quando a excursão revela-se um golpe, as pessoas e suas pequenas histórias tentam manter o otimismo e partem, por conta própria, em busca da nascente ou algo que os possa curar. Encontram um lago de fezes onde nadam e se curam. Pequenas histórias de otimismo onde a realidade insiste em se fazer presente.

A Retirada, de Amos Gitaï, fala de algumas pequenas histórias em meio a uma grande e complexa história, o conflito entre judeus e palestinos num momento crÃtico – a retirada, à força, de israelenses dos assentamentos na Faixa de Gaza. Em meio a isso, há a pequena história de Ana, personagem de Juliette Binoche que depois do falecimento do pai, tem de enfrentar seu passado e é obrigada a reencontrar a filha, que um dia foi abandonada e que agora vive num dos assentamentos a serem ocupados. Jet X offers an exciting gaming experience where timing is crucial to maximize your winnings. To get started, visit https://quantoganha.org/download/ . Ana adentra, com sua pequena história, uma história que parece não ter fim.

A pequena história de Ana e Amos Gitaï em meio a uma grande história revelou um belo filme. Mas a relação não é lógica. Para gerar um grande um filme, uma pequena história tem de ir além, tem de conquistar os olhares do público; tem de conquistar os olhares dos crÃticos. O Cinema dos Meus Olhos faz uma homenagem à s pequenas histórias que compõem a Mostra e confronta crÃticos e cineastas, “dois lados de uma mesma criação artÃsticaâ€. O filme, repleto de closes nos olhos buscando o reflexo da tela de projeção, resulta em interessantes discussões numa merecida homenagem a estas duas semanas de maratona que me levam a visitar tantas pequenas histórias.
Pequenas histórias? Para quê? Num dos debates que compõem a Mostra, Eduardo Coutinho disse acreditar que contar histórias faz bem à s pessoas. E deve fazer mesmo – tanto à s que contam, como à s que assistem. Viva ao cinema, viva à s pequenas e grandes histórias.
//// Filmes que vi na 31a Mostra e fazem parte deste texto:
PEQUENAS HISTÓRIAS, de Helvécio Ratton (Brasil)
JOGO DE CENA, de Eduardo Coutinho (Brasil)
DOS ABRAZOS, de Enrique Begné (México)
OS OTIMISTAS (Optimisti), de Goran Paskaljevic (Sérvia)
A RETIRADA (Disengagement), de Amos Gitaï (Israel, França, Alemanha, Itália)
O CINEMA DOS MEUS OLHOS, de Evaldo Mocarzel (Brasil)
Ciranda
Vi Ciranda em Berlim, mas gostei de Yo Soy La Juani. Gostei de Yo Soy La Juani, mas preferi O Sinal. Preferi O Sinal, mas trocaria por XXY. Ficaria com XXY se também pudesse optar por Help Me Eros. E a Ciranda não gira como deveria.

Ciranda em Berlim (Berliner Reigen) é uma roda que gira em falso. O filme alemão de Dieter Berner que “discute diferentes manifestações do amor e do sexo†é intercalado por tÃtulos que apresentam os personagens e os dez episódios que compõem o longa. Em “O Soldado e a Prostituta†são apresentados um traficante e uma prostituta; em “O Soldado e a Donzelaâ€, temos o traficante e uma jovem russa, e assim por diante até chegarmos ao décimo episódio que fecha o cÃrculo. Este paralelo com a ciranda é uma artifÃcio narrativo interessante, apesar de não ser original, que prende a atenção e gera expectativa pelo momento em que as histórias se cruzarão e, aà está o problema – as histórias mal se cruzam e, por isso, a ciranda gira em falso. O filme avança, juntamente com as expectativas, mas termina sem conseguir corresponder as elas.

Yo Soy La Juani, de Bigas Luna, é um drama espanhol sobre o mundo dos jovens do interior daquele paÃs que gostam de carros tunados e baladas muito semelhantes ao nosso funk – o jeito de se vestirem também nos é bastante familiar. E o filme é isso. A garota do papel central tem o sonho de ser atriz em Madri. Ela viaja para lá, mas acaba voltando para ajudar os seus pais. No meio desta história, há um namorado cafajeste e uma amiga sincera e companheira. Um longa sem surpresas que talvez busque apenas retratar algum momento da Espanha atual.

O Sinal (La Señal) é um belo noir argentino co-dirigido e estrelado por Ricardo DarÃn, em sua estréia atrás das câmeras. O filme se passa na Buenos Aires da década de 50, envolve detetives treinados ao estilo norte-americano, muita fumaça de cigarros, uma bela morena para os essenciais closes, uma intriga que envolve mafiosos, tiros e carros antigos e, como pano de fundo, os últimos dias de Eva Perón. O filme peca apenas pelo seu ritmo lento demais para um filme que, pelo roteiro, poderia prender a atenção do começo ao fim. Direção interessante, atuações corretas, fotografia bela como deve ser, tudo embalado numa montagem um tanto quanto destoante.

XXY de Lucia Puenzo entrega o que vem sendo anunciado e faz jus aos elogios que recebe. O filme, co-produção argentina – leia-se presença de Ricardo DarÃn, passado em alguma praia uruguaia, é a adaptação para o cinema de um livro e trata de uma bela e sensÃvel história sobre as diferenças. Os espectadores não ficam indiferentes durante o filme e são confrontados com as questões abertas na tela. A grande decisão da história fica sempre em suspenso e mira o espectador que tem todo o tempo do filme para refletir sobre as questões tratadas ali. Alex nasceu com as caracterÃsticas sexuais de ambos os sexos e, agora com 15 anos, é chamada a escolher qual “caminho†seguir – até ali ela é uma garota que necessitava de remédios para controlar os hormônios masculinos. Um cirurgião é convidado a passar alguns dias na casa da famÃlia de Alex para avaliar a situação e trás consigo sua esposa e seu filho, um jovem garoto que amplia ainda mais a complexidade de qualquer decisão para Alex, para a famÃlia e para o espectador. Daqueles dias naquela casa, ninguém sairá igual: nem o cirurgião, nem sua mulher, nem o jovem garoto, nem os pais de Alex, nem mesmo os moradores daquela vila. Da aquelas horas na sala de exibição, nenhum espectador sairá com entrou.

Help Me Eros (Bang Bang Wo Ai Shen) é a estréia na direção de um dos atores preferidos de Tsai Ming-Liang, Lee Kang-Sheng, e fala sobre muitas coisas. A pessoa que sentou ao meu lado achou que falava sobre o amor moderno; o moço ao lado dela defende o tema solidão; a senhora lá da frente não deu tempo de achar nada porque saiu antes do filme terminar. Eu achei que o filme falava sobre o vazio. Os personagens do filme não se sentem completos e tão pouco sabem o que lhes faltam. Um jovem falido desistiu de tudo, exceto de sua plantação caseira de pés de maconha; uma atendente de uma central para ajuda à suicidas que se tornou gorda após casar-se com um chef de cozinha; garotas que trabalham durante a noite na rua vendendo de tudo. Estas histórias se cruzam numa tentativa de ajuda mútua: a ciranda de Taiwan que também envolve amor e sexo, como a de Berlim, começa com o jovem rapaz querendo suicidar-se e ligando para pedir ajuda à central. O filme vai além destas linhas e, para cada um que assistir, pode assumir um significado diferente.
Déjà vu
O filme começou e algo de dèjà vu havia ali. Não sabia ao certo quais eram, mas algumas cenas eram familiares. Como não havia feito o dever de casa, só fui conferir o catálogo da Mostra depois de ter assistido ao filme – Cashback é um longa inglês nascido a partir de um curta-metragem que, por acaso, eu havia visto na 15a. Mostra Internacional de Curtas em 2004. O curta concorreu ao Oscar daquele ano e isso deve ter motivado o diretor Sean Ellis a levar a história adiante, literalmente. Da passagem do curta para o longa, mudou-se o foco da história. O curta era uma divertida história que se passava num supermercado e o longa resolveu levar a história também para fora, transformado o argumento numa comédia romântica que não empolga muito. As melhores cenas se passam no supermercado, reforçando o caráter desnecessário do longa. Pensando bem, eu deveria ter pedido meu dinheiro de volta.
Abaixo, o divertido e interessante curta que deu origem ao longa de mesmo nome exibido na 31a. Mostra.
Um Jogo de Vida e Morte (Sleuth) também é um déjà vu, mas de um filme que eu ainda não vi – Jogo Mortal (Sleuth) de 1972. Michael Caine permanece no elenco, agora ao lado de Jude Law, com direção de Kenneth Branagh. O longa, apesar de norte-americano, aspira ar inglês e, talvez por isso, é charmoso do começo ao fim. O jogo do tÃtulo se dá entre um jovem rapaz e um autor de livros de suspense e a ação acontece numa única locação – uma casa high-tech. A história começa morna e esquenta ao longo do jogo. O jovem rapaz, que roubou a mulher do autor, tem a missão de conseguir do marido traÃdo, o divórcio. O filme tem várias reviravoltas, mas só a primeira delas é surpreendente. Como Cashback, o filme se daria bem num curta-metragem. Um jogo de Vida e Morte tem argumento interessante, direção charmosa, atores que dispensam apresentações mas se torna cansativo ao longo da projeção. A idéia de uma única locação e dois personagens dialogando todo o tempo funcionou muito bem em Entrevista (Interview), ao contrário daqui. Um Jogo de Vida e Morte provavelmente entrará em cartaz com um belo trailer e boas chamadas. Não caia no jogo.

O dia foi reservado para poucos filmes e os dois comentados aà cima quase não valeram suas sessões. O último filme do dia seria no Sesc Pinheiro. Era um filme mudo.
Filme mudo?
– Filme mudo?
– E se chama Brand Upon The Brain.
– Mas mudo???
– Sim e parece ser bem interessante.
– Sei…
– O diretor é o canadense Guy Madin que sempre tem um filme de destaque na Mostra. Ele se inspira muito em F.W. Murnau e Fritz Lang.
– Nunca ouvi falar deste cara e não sei se quero ver um filme mudo numa terça-feira à noite. Prefiro ir para casa dormir.
– O filme é mudo mas vai ter som.
– Esses filmes da Mostra são sempre estranhos. Você é estranho…
– Deixa eu explicar melhor: o filme de fato é mudo, mas haverá som ao vivo.
– Vão tocar um CD durante com o filme?
– Engraçadinha. Vai ter uma orquestra para a trilha, uma equipe de músicos para sonoplastia e também estarão lá um cantor e uma narradora, todos se apresentando ao vivo.
– É um filme ou é um show?
– É um filme-espetáculo. Foi apresentado pouquÃssimas vezes no mundo, fez sucesso no festival de Berlim e Cate Blanchett, Isabella Rossellini e Lou Reed, também já se apresentaram como narradores.
– Bem, talvez possa ser interessante. Mas e a história? O filme tem alguma história?
– Pelo que li o filme fala sobre a infância do diretor.
– Então é um documentário. Não gosto de documentários, eles me dão sono.
– Calma, me deixa terminar. O personagem Guy Madin volta para a ilha onde passou grande parte de sua infância e ele relembra os momentos que passou lá.
– História manjada.
– Aà que você se engana: naquela misteriosa ilha sua mãe e seu pai administravam um orfanato onde coisas estranhas ocorriam. Lá, todas as crianças tinham uma marca estranha na parte de trás do pescoço. O jovem Guy Madin, sua irmã e um(a) jovem detetive famoso(a) vão investigar o que ocorre.
– Com esta história complexa, vai ser difÃcil entender alguma coisa já que o filme é mudo.
________________________
– E aÃ, gostou do filme?
– …..
– Aposto que ficou surpreendida, né?
– …..
– E a MarÃlia Gabriela gemendo daquela maneira. A platéia foi ao delÃrio.
– …..
– Aquele pessoal de sonoplastia arrasou. IncrÃvel o trabalho deles. E a orquestra? Que sincronia? Era difÃcil acreditar que o som saia daquele fosso, não?
– ……
– A versão sonora, que também está na Mostra não deve ter o impacto desta apresentação ao vivo.
– ……
– Confesso que nem eu poderia achar que um filme mudo, em pleno século XXI, pudesse ser tão interessante.
– ……
– E aÃ, não vai dizer nada?
– …..

