Curta um Curta que dá tempo!

por Edemilson Morais 1:45

O último post publicado no Cinemalido falava em fim do mundo. Foi há 7 anos. Coincidência para um blog que parecia ter chegado ao fim. Parecia. O site nunca saiu do ar para que a ideia de falar sobre filmes continuasse sempre viva. A ideia não se perdeu mas o tempo tornou-se cada vez mais escasso para tantos planos e sonhos. Ainda vamos achar uma maneira de voltar com mais frequência para este espaço. Até lá, fica uma grande dica.

Em tempos de tempo escasso, que tal um curta-metragem? É rápido, é prático, é arte.

Sentar-se durante 2 horas em frente à uma tela parece bem mais difícil num mundo de tantas notificações pulando na tela do celular (ou vibrando no seu/meu smartwatch). O curta-metragem, neste sentido, é o jeito mais fast de viver cinema.

Te desafiamos a experimentar o curta-metragem desta forma. Se jogue nesta experiência.

Vá e curta alguns filmes da 27ª Edição do Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo.

Serão exibidos cerca de 400 curtas de mais de 60 países e que abordam questões atuais, como liberdade de expressão, xenofobia, inclusão e direito das mulheres. É muita coisa interessante. E é GRATUITO. Não tem como errar.

Em breve a programação vai estar no ar em: http://www.kinoforum.org.br/curtas/2016/

Aqui do nosso lado, vamos acompanhar algumas sessões não só porque também andamos sem tempo e amamos cinema. Mas porque queremos incentivar pessoas como você a tentar conciliar a urgência do mundo das redes sociais aos prazeres da sétima arte.

Vem com a gente!?

27festPT2016

Confira a vinheta do Festival:

 

 

2012, o fim do mundo?

por Alexandre Fugita 12:09

O filme 2012 que estreia hoje mundialmente parte de uma premissa interessante. Os Maias, séculos atrás, criaram seu calendário que curiosamente tem uma data final: 21 de Dezembro de 2012. E o filme baseia-se nesta previsão deste antigo povo das américas.

Em termos de coisas destruídas o 2012 é recordista. Mas o filme em si é cheio de clichês ao estilo Roland Emmerich. O diretor é conhecido como criador de “disaster movies”, os filmes catástrofe. É dele “O Dia depois do amanhã” que lida com problemas climáticos e “Independence Day”, que mostra alieníginas destruindo nosso querido planeta.

Desta vez a culpa é do Sol. Algum desequilíbrio magnético do astro rei faz com que a Terra sofra calamidades. Prédios rolam, aviões surfam, destruição para todo lado. Um novo dilúvio se aproxima.

É interessante notar que o presidente dos EUA retratado no filme é negro. Interessante pois justamente agora temos o Barack Obama, o primeiro presidente negro dos EUA. Mas não é o primeiro em filmes. E nem em filmes de destruição. O Morgan Freeman já retratou um presidente americano negro em outro filme catástrofe, o “Impacto Profundo”. Desta vez o presidente dos EUA é o Danny Glover, bastante conhecido pelo seu papel na franquia Máquina Mortífera.

O filme diverte mas não acrescenta nada. Mas esse é o objetivo dos filmes catástrofe. Divertir naquele momento. E só.

Mais infos:

Curtas do Bafici (2)

por Edemilson Morais 13:57

Caça ao tesouro

Um festival dedicado ao cinema independente e de vanguarda é uma ótima oportunidade para conhecer novos diretores, vislumbrar tendências, acompanhar narrativas surpreendentes e… dar de cara com filmes ruins. Sim, com tanto filme sem muitas referências, é fácil cair em uma roubada. Muitas das pessoas que conheci aqui em Buenos Aires dizem não acompanhar o festival porque acham muito difícil escolher algo que seja bom. Eu já errei algumas vezes e até acabei quebrando uma de minhas regras que é não sair antes do final de um filme, mesmo que ele seja muito ruim. Na última terça ou eu dormia durante um filme muito tedioso ou ia para casa mais cedo; fiquei com a segunda opção. Ontem, uma das últimas sessões da noite começou lotada e terminou com menos da metade do público, desta vez fiquei até o final. Os filmes destas duas sessões ficam para outros posts.

Atrasado não entra?

Em todas as salas por quais já passei, há sempre um aviso com bastante destaque informando que não é permitido a entrada depois do início do filme. Ainda não vi ninguém sendo barrado e perdi uns 10 minutos de um filme de 49 minutos (!!!) porque tinha gente passando e atrapalhando as legendas.

Sacolinhas, conversas, e outras distrações

Por outro lado, ainda não me deparei com ninguém revirando sacolinha durante o filme, falando ao celular ou cochichando. As pessoas até chegam atrasadas, mas ficam bem quietinhas até o final da sessão. Será que tenho dado sorte?

Antes do filme começar

por Edemilson Morais 15:58

Antes de cada filme do festival, é exibido, além dos comerciais, um curta-metragem com cerca de 45 segundos produzido por um diretor convidado. A seguir, vinheta do diretor argentino Paulo Pécora que também está presente no festival com um outro curta chamado Una Forma Estúpida de Decir Adeus (2004).

Update: enviei um e-mail para assessoria de imprensa do festival para saber mais informações sobre as vinhetas e no dia seguinte foi liberado um press-release informando que este ano os curtas institucionais que acompanham os filmes foram realizados por três diretores: Planetário de Paulo Pécora (pode ser assitido acima) que narra o encontro de um casal, foi filmado quadro-a-quadro durante todo um dia em frente ao planetário de Buenos Aires através uma velha câmera Bolex 16mm, S/T de  Lisandro Alonso mostra em plano fixo uma coruja respirando com uma trilha de suspense; e Salida de los obreros de la fábrica de Carmen Guarini apresenta-se como um tributo aos irmãos Lumière. Se eu conseguir captar novamente, coloco neste post os dois outros curtas institucionais.

Curtas do Bafici (1)

por Edemilson Morais 15:18

Manhã tranqüila

Para a imprensa são realizadas nove sessões diárias em três salas simultâneas com filmes começando às 10h, 12h e 14h. Neste período não há filas e nem é necessário retirar ingressos com antecedência. Basta estar atento à programação, chegar na hora e apresentar a credencial.

 

 

Sobras para noite

A tranquilidade é só matutina. Para as sessões da tarde ou da noite não adianta dar “carteirada”, é preciso retirar até dois ingressos com antecedência para filmes em sessões abertas (leia-se, sessões disputadas com o público e com direito à filas). O difícil é conseguir encontrar ingresso disponível especificamente para um filme. O jeito é chegar na sala de imprensa, pedir o que tem sobrando e contar com a sorte.

Cinema de vanguarda na capital do tango

por Edemilson Morais 2:09

A partir de agora, o CinemaLido rompe fronteiras e faz a sua primeira cobertura internacional.

Estou em Buenos Aires, Argentina, para acompanhar o Bafici (Buenos Aires Festival Internacional de Cine Independente) que, criado e mantido pela prefeitura, está em sua 11ª Edição e vai de 25 de março a 05 de abril.

“Buenos Aires respira cine y el público porteño, célebre por su cinefilia y fidelidad, acompaña cada edición en creciente número”. (www.bafici.gov.ar)

Este festival, de repercussão internacional, está focado fortemente no cinema independente e também de vanguarda, com isso, é difícil encontrar grandes nomes da cinematografia atual, porém, os diretores com filmes selecionados provavelmente serão destaques daqui alguns anos, que é o que tem acontecido desde a primeira edição do Bafici, em 1999. Talvez o festival possa ser considerado o Sundance da América do Sul.

Em um comparativo para entender o tamanho do Bafici, se fosse pelos números do festival, ele se equiparia à Mostra Internacional de Cinema de São Paulo: aqui estão programados 417 filmes para 1.069 sessões em 20 cinemas; enquanto que a última edição da Mostra contou com 454 filmes para 1.200 sessões em 22 salas. O número total de público também se assemelha, são 200.000 cinéfilos para cada um dos festivais.

Importante destacar ainda, que o Bafici tem apenas 1/3 da idade da Mostra.

O festival é composto de retrospectivas, panoramas e, claro, competições: cinema internacional, cinema argentino, cinema do futuro (dedicado às novas linguagens) e curtas-metragens.

A seleção dos filmes, segundo os organizadores, privilegia as premieres pois é assim que o Bafici quer se destacar entre os festivais do mundo, como o berço de estreias de filmes independentes e de vanguarda.

Entre os destaques do festival porteño deste ano estão o Shirin (Irã, 2008) de Abbas Kiarostami, apresentado no 65º Festival de Veneza; 35 Shots of Rum da diretora francesa Claire Denis (Chocolate, Nennete et Boni, Beau Travail); Examined Life (Canadá, 2008) de Astra Taylor; o segundo longa-metragem do chileno Sebastián Silva La Nana (Chile-Mexico, 2009) primeiro filme chileno ganhador de um prêmio no último Festival de Sundance; o filme Une Autre Homme (2008) do diretor suíço Lionel Bailer; Ponyo on the Cliff by the Sea (Japão, 2008) do mestre da animação Hayao Miyasaki (A Viagem de Chihiro, A Princesa Mononoke) e 16 Memórias (Colombia, 2008) de Camilo Botero Jaramillo.

Quanto a nós, brasileños, estamos sendo representados por seis filmes, sendo que dois deles vem sendo apresentados com destaque: Filmefobia (2008) de Kiko Goifman em competição pelo “Cine Del Futuro” e Encarnação do Demônio (2008) de Zé do Caixão no “Panorama Noturno”. Completam a lista tupiniquim Acácio (2008) da mineira Marília Rocha, Loki:Arnaldo Batista (2008) do carioca Paulo Henrique Fontenelle e, vindos do Recife, KFZ-1348 (2008) de Gabriel Mascaro e Um Lugar ao Sol de Marcelo Pedroso (2009).

De início, o que chama atenção é a grande exposição que o Bafici tem. Por se organizado pela prefeitura, cartazes do festival estão por todos os cantos da cidade. Pelo que se percebe, ao longo destas duas semanas, Buenos Aires parece mesmo respirar cinema. E isso se confirma com o grande número de sessões que já têm ingressos esgotados antes mesmo do festival começar.

Ao longo destas duas semanas pretendo viver mais uma maratona para narrar aqui curiosidades sobre o Bafici e, claro, comentar alguns dos filmes que serão exibidos.

¡hasta luego!

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Extras:
Galeria de fotos do festival
Site oficial