Déjà vu

por Edemilson Morais 13:00

O filme começou e algo de dèjà vu havia ali. Não sabia ao certo quais eram, mas algumas cenas eram familiares. Como não havia feito o dever de casa, só fui conferir o catálogo da Mostra depois de ter assistido ao filme – Cashback é um longa inglês nascido a partir de um curta-metragem que, por acaso, eu havia visto na 15a. Mostra Internacional de Curtas em 2004. O curta concorreu ao Oscar daquele ano e isso deve ter motivado o diretor Sean Ellis a levar a história adiante, literalmente. Da passagem do curta para o longa, mudou-se o foco da história. O curta era uma divertida história que se passava num supermercado e o longa resolveu levar a história também para fora, transformado o argumento numa comédia romântica que não empolga muito. As melhores cenas se passam no supermercado, reforçando o caráter desnecessário do longa. Pensando bem, eu deveria ter pedido meu dinheiro de volta.
Abaixo, o divertido e interessante curta que deu origem ao longa de mesmo nome exibido na 31a. Mostra.

Um Jogo de Vida e Morte (Sleuth) também é um déjà vu, mas de um filme que eu ainda não vi – Jogo Mortal (Sleuth) de 1972. Michael Caine permanece no elenco, agora ao lado de Jude Law, com direção de Kenneth Branagh. O longa, apesar de norte-americano, aspira ar inglês e, talvez por isso, é charmoso do começo ao fim. O jogo do título se dá entre um jovem rapaz e um autor de livros de suspense e a ação acontece numa única locação – uma casa high-tech. A história começa morna e esquenta ao longo do jogo. O jovem rapaz, que roubou a mulher do autor, tem a missão de conseguir do marido traído, o divórcio. O filme tem várias reviravoltas, mas só a primeira delas é surpreendente. Como Cashback, o filme se daria bem num curta-metragem. Um jogo de Vida e Morte tem argumento interessante, direção charmosa, atores que dispensam apresentações mas se torna cansativo ao longo da projeção. A idéia de uma única locação e dois personagens dialogando todo o tempo funcionou muito bem em Entrevista (Interview), ao contrário daqui. Um Jogo de Vida e Morte provavelmente entrará em cartaz com um belo trailer e boas chamadas. Não caia no jogo.

O dia foi reservado para poucos filmes e os dois comentados aí cima quase não valeram suas sessões. O último filme do dia seria no Sesc Pinheiro. Era um filme mudo.


2 comentários

  1. Polyana Ramos disse:

    Posso atestar (pois é um dos meus filmes favoritos) que a versão de “Sleuth” dos anos 70, com Laurence Olivier e Michael Caine…(aqui no Brasil, “Trama Diabólica”)…é magnífica…a extrema indefinição da relação entre os dois vai chegando a um fio de tensão indecifrável e sim…parece um teatro filmado e…maravilhosamente filmado. A direção é feita com maestria…e dificilmente você sente falta de outros atores, porque os dois bastam e são monstros da arte da representação…Kenneth Branagh sempre seguiu os passos de Laurence Olivier e muitos dos filmes que ele fez, o lord shakespeariano já tinha feito….vou conferir a nova versão…
    mas será que ficou cansativo mesmo??

  2. Edemilson disse:

    Como deve ter percebido, nesta versão Michael Cane está no papel que era de Olivier e Jude Law faz o papel que era Caine. E talves ai esteja o problema desta nova versão – Cane segura Olivier, e Jude Law, segura Michael Cane? Acho q não. Jude Law tá um pouco irritante neste teatro filmado e acabou “jogando” contra.

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