Estreia Sexta!

por Alexandre Fugita 16:34

De vez em quando lembro-me da senha deste blog e venho aqui atualizá-lo. Desta vez foi porque descobri um serviço simples e genial. Como diz o título deste post, chama-se Estreia Sexta, um site que tem a simples existência para nos informar dos filmes que serão lançados nos cinemas brasileiros na próxima sexta-feira.

Interessante, não? Melhor ainda, cada um dos filmes exibe links para trailers no YouTube, ficha técnica no Imdb, o artigo correspondente na Wikipédia, poster do filme além de trailers no site da Apple. Facilita a vida de todo mundo.

Escrevi um outro post no Startupi, em outro blog que mantenho, sobre a historinha por trás do surgimento deste serviço. É interessante, vale ler. Adicionalmente, agradeço o Marco Gomes por ter me avisado deste serviço interessantíssimo!

Uma experiência sinestésica

por Alexandre Fugita 2:54

Na Mostra de cinema em geral você tem experiências cinematográficas diferentes. Filmes cult, filmes de diretores estreantes, filmes com conceitos malucos. Mas a experiência mais interessante que se pode ter é ir a uma das sessões no vão livre do MASP.

Esta é a segunda vez que vou até o MASP assistir a uma obra da sétima arte. O primeiro deles foi o grandioso 2001, Uma odisséia no espaço do Kubrick. Sim, posso dizer que vi este filme na telona! Esse filme foi exibido no vão livre na 30a. Mostra. Desta vez o escolhido foi o Banheiro do Papa, um dos vencedores da Mostra anterior, e que escreverei em breve aqui.

Sentar-se em uma das cadeiras de plástico do MASP em plena hora do rush em São Paulo é no mínimo interessante. Ao som do filme (trilha, efeitos) mistura-se o ruído de fundo de umas das avenidas mais conhecidas do Brasil.

Ônibus passam a todo momento, sirenes e suas luzes surgem aleatoriamente, sombras dos pedestres são projetadas. E desta vez choveu forte no início da sessão, ou seja, um fina névoa caiu sobre nós, espectadores, enquanto curtíamos com todos os sentidos esse filme que se passa no Uruguai.

Muito mais divertido que o Vivo Open Air que, por ser no Jóquei Clube, não tem todo esse trânsito a 10 metros de distância, mas dava pra ver os aviões que pousavam ou decolavam de Congonhas passando no alto da tela, hehe! Aliás, cadê o Vivo Open Air? Faz tempo que não tem.

Veja também:

Clô

por Polyana Ramos 10:38

 

Baseado no romance de Sérgio Jockymann, Dias e Noites é o que poderíamos, sem medo, denominar como melodrama. Antes de uma caracterização negativa, o gênero era escolha primeira nos idos do final do século XVIII e foi permeando as obras (principalmente teatrais) ao longo do século XIX. A trajetória do gênero pede sempre por uma crescente evolução – da infelicidade à felicidade.

Os diálogos pomposos, as cenas arrebatadoras e a música que cai na hora certa (afim de exaltar a tensão) foram, com o tempo, transformando-se em  convenções (de tanto repetidas). Essas convenções, em exagero, são hoje motivo de riso. Hoje, um melodrama, principalmente se levado a sério…é visto como algo de mau gosto.

Se o autor de uma obra dramática não atentar para a distribuição em equilíbrio dos elementos do enredo, ele pode cair para um terreno que, de início, nunca foi seu objetivo.

Por isso, não é fácil conter o riso frente a história de Clotilde (Naura Schneider), uma mulher que sofre tanto nas mãos dos homens mas, ao mesmo tempo, não consegue viver sem eles. A primeira cena diz tudo: Clotilde, ainda adolescente, tira a roupa em público para manter seu ponto de vista, manter sua visão de mundo. Essa idéia caminhará por todo filme. Ela fará de tudo (mesmo que caia em sua degradação moral) para manter-se em pé, na defesa de seus anseios.

Mesmo baseado em fatos reais, a história ganha força à la Danielle Steel e o que vemos, ao final, é um conjunto de lugares-comuns estranhamente alinhados.

Eu havia gostado tanto de Netto perde sua Alma (exibido na 25ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo – direção também de Beto Souza, mas com Tabajara Ruas) que pensei encontrar, em Dias e Noites, uma boa pedida.

Se o filme não estivesse tão engessado em padrões e se permitisse ser mais livre…o gênero zombando de suas próprias especificidades…talvez a obra se transformasse em uma surpresa agradável. O que, certamente, não é.

 

 

Rebobine, por favor!

por Alexandre Fugita 23:56

No Domingo descobri que o último filme do ótimo diretor Michel Gondry seria exibido na Mostra dali algumas horas. Não deu outra, fui correndo em direção ao cinema e, sorte, tinha ingressos disponíveis para a sessão.

Rebobine, por favor (Be Kind Rewind, EUA, 2008, 102 minutos) se passa em uma vídeo locadora de VHS, ou seja, uma indústria decadente. Tem a seu favor um acervo variado, mas perde a concorrência para aquela grande loja da esquina que aluga DVDs. Aliás, esse é outro negócio em decadência… Mas… vamos lá!

A tal da locadora sofre um incidente, todas as fitas VHS magnéticas são apagadas… e pra satisfazer os clientes os personagens de Jack Black (Jerry) e Mos Def (Mike) resolvem refilmar “clássicos” como Ghostbuster e A Hora do Rush. Hilário!

Pirataria?!

O filme tem tudo a ver com a atual situação da indústria de filmes e música. Há críticas pesadas à pecha de criminoso que a RIAA dá a seus consumidores fiés, aqueles que adoram um filme e pagariam caro para vê-lo. Na verdade a RIAA, a tal da associação das indústrias de entretenimento, não é citada nominalmente, mas é representada por advogados truculentos.

O tal do conteúdo gerado pelo usuário ganha força no filme, com suas obras “suecadas”, ou seja, feitas em casa, refilmagens de obras cinematográficas originais. Aqui existe uma piada (eu acho que é piada) que só um cara gosta de tecnologia,como eu, poderia perceber. Os filmes são “suecados” pois, explicam, foram feitos na Suécia. Isso nada mais é do que uma crítica a indústria cinematográfica e uma referência clara ao The Pirate Bay, aquele buscador de torrents, ou seja, download “cinza” de filmes.

O filme é ótimo, com boas piadas e referências para bons apreciadores da sétima arte. Claro, as referências não são pra filmes cult e sim para filmes conhecidos do grande público. Pra todo mundo que gosta de cinema, mídias sociais, cauda longa e UGC, vale à pena.

Vale conferir:

Próximas sessões:

Clone mal feito

por Alexandre Fugita 11:38

O clone volta para casa

Ontem fui assistir, na sorte, algum filme que encaixasse no meu horário maluco. Achei um japonês com cara de ficção científica que passou às 22h no Cine Bombril chamado “O Clone volta pra casa” (Kuron wa Kokyo-Wo Mezasu, Japão, 2008, 110 minutos). Pra quem gosta de ficção científica como eu, o argumento do filme é interessante. Mas a fita não segura a onda.

Ficções científicas são interessantes para abrir discussões de tabus a tecnologias novas. Desde a ovelha Dolly, a clonagem é uma delas e já foi retratada em outros filmes como o Sexto Dia.

No filme, um astronauta morre em missão espacial e é “ressucitado” na forma de clone. Questões éticas surgem mas não são aprofundadas. Como estamos em uma mostra de cinema, coisas estranhas podem acontecer na tela. E acontecem. O clone revive algumas das situações de sua infância que o marcaram e acaba se surpreendendo com o que vê.

Talvez a barreira tenha sido a língua já que preferi acompanhar as legendas em inglês do que a em português. Como havia dito antes, faço confusão quando um filme tem mais de uma legenda. Mas, na verdade, isso nunca foi impedimento em todos os filmes da Mostra que já assisti.

A impressão geral – encontrei a Bibi do Cinematógrafo  na sessão – é que o filme é chato. Sim, concordo, fiquei com sono com a narrativa lenta e não instigante para um tema muito interessante.

O filme faz parte da chamada “carta branca do Wim Wenders“, ou seja, filmes que o diretor pode escolher para passar na Mostra. Gosto do diretor alemão, mas não concordo com essa escolha. Talvez a idéia toda fosse discutir as implicações éticas da clonagem de humanos. Não conseguiu.

Com você, as palavras

por Alexandre Fugita 20:57

O que é mais importante para um poeta? As palavras, claro. E é com essa matéria-prima, criando construções mirabolantes, que Manoel de Barros, poeta de Cuiabá, inventa 90% de seus versos, só dez por cento é mentira. Aliás, esse é o título do filme que está na 32a. Mostra, uma desbiografia oficial de Manoel de Barros.

O documentário do diretor Pedro Cezar é uma das raras oportunidades em que Manoel de Barros dá entrevista usando sua voz. Sempre preferiu tudo escrito, usando palavras e frases, que é a essência de sua obra. Imagens não dizem nada, as palavras são tudo. Depoimentos de pessoas próximas ajudam a compor o quadro, ou melhor, as palavras que definem o poeta.

Foi interessante também conversar Marcio Paes, da equipe do documentário. Fiquei sabendo que toda a filmagem foi feita com poucos recursos, estilo produção quase caseira. Mas não se deixe enganar, o filme é muito bom, daqueles que conseguem ser ovacionados pelo público no final da sessão por quase um minuto.

Próxima Sessão: